Mais Médicos: Responsabilidade Internacional

Os recentes acontecimentos comprovam: Não tem classe mais metida do que a dos tais dos médicos.

Já me cansei de debater pessoalmente o tanto que é surreal alguém achar ruim ganhar 10.000 por mês como inicial de carreira num país como o nosso, e é uma questão de reconhecer o ambiente no qual se vive. Não tem a ver com gostar de cuidar dos outros, até por que, o seriado genial Nurse Jackie, já disse, quem gosta de cuidar dos outros vai ser enfermeiro, quem gosta de sangue e tripas vai ser médico.

Não acho que as coisas sejam tão preto no branco assim, mas também não acho que os dois anos de sus devam ser cumpridos por uma questão de vocação do médico em cuidar da humanidade. É, antes de mais nada, uma troca.

O médico entra com conhecimento, e cuidado sanitário, o sistema entra com dinheiro e possibilidade de aprendizado. O Ministério da Saúde já disse que é um programa pedagógico, por isso não faz sentido ser via CLT! Mas isso é uma outra enorme discussão e cansei de me indispor com o reacionarismo alheio.

Não, estou aqui para falar de um ponto específico do programa que acho mais do que louvável.

Gosto do programa Mais Médicos como um todo, da ideia, e, so far, da operacionalização. Uma coisa me chama mais atenção do que tudo: a noção de responsabilidade internacional.

O mais médicos aceita estrangeiros (ainda que priorize brasileiros) com exceções! E aí que tá toda a graça. Não podem vir estrangeiros oriundos de países cujo número de médicos por habitantes é menor do que o do Brasil. Essa única linha de porém tem grande significado, por que não oferece oportunidades para melhorar nossa saúde, a custo da saúde alheia. Ela demonstra uma preocupação com todo o ecossistema sanitário mundial, com os países vizinhos e distantes, enfim, com o mundo.

Parece uma dimensão utópica da paz, mas é muito diferente disso; é apenas um mecanismo para dizer que precisamos de ajuda externa, mas não (nunca!!) a custa de quem precisa de mais ajuda. Se trata de olhar para o todo.

Um exemplo é a Bolívia. É injusto permitir que um boliviano venha para o Brasil, se falar bom português e for bom médico, para ter um bom salário e melhorar o Brasil? Para aquele indivíduo é. Mas não é melhor não ser o incentivo que cria mais lacunas e ausências em um país que, em número de médicos, está com maior precariedade que o nosso?

Acho muito interessante que se pense o equilíbrio do sistema como um todo, e não apenas uma política externa. Palmas, a despeito dos narizes erguidos dos médicos.

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